sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Novembro

Novembro é velho, desgastado pelo tempo,
Carcomido por memórias e histórias.
Sua pele tem a textura e o perfume de livros
Guardados há tantos milênios que até as traças
Já o esqueceram.
Ele se veste de neblina, esconde sua nudez lasciva
Nas brumas e no mistério.
Caminha, quieto e só, erguendo estrelas à sua frente
Enquanto as cola com saliva no quadro da noite.
Novembro carrega palavras nos bolsos esfarrapados,
Arrasta penas nos calcanhares herméticos,
Tem em seu peito o coração das trevas e das criaturas que lá habitam.
Ninguém vê seu rosto, ninguém realmente o conhece.
Segue, angelical e demoníaco, sacro e profano,
Cavalgando tempestades na companhia de gigantes e antigos deuses.
Cai na chuva, lamenta no trovão e vive no raio.
Novembro é mês e ser.
É um pouco de mim e um pouco de você.

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