terça-feira, 8 de outubro de 2013

Extremos, por Cauê e Rachel

"Bonito e bruto, feio e gracioso, e a gente, aqui, lendo de um lado para o outro" - Rachelis Noldor

Devagar e rápido
Ausência e presença
Guerra e paz
Cheio e vazio
Bom e ruim
Claro e escuro
Yin e Yang
Possível e impossível
Vitória e derrota
Trevas e luz
Diferente e igual
Correto e errado
Corpo e alma
Concórdia e discórdia
Razão e emoção
Amor e amor
Deus e Nietzsche
Tutti-frutti e melão
Tempo e eternidade
Liberdade e coerção
Desespero e esperança
Indiferença e compaixão
União e solidão
Papel e tesoura em outras mãos
Eu e você
Calma e desassossego
Ordem e caos
Derivada e integral
Jedi e sith
Butler e O´Hara
Coiote e Papa-léguas
Agência e conta bancária
Homem e mulher
Risada e choro
Tristeza e felicidade
Dinâmico e estático
Nudez e roupas
Velhos e jovens
Vida e morte
Imprudência e sensatez
Destino e livre arbítrio
Água e fogo
Verão e inverno
Einstein e tempo
Gandalf e Balrog
Talento e inaptidão
Amigo e inimigo
Dúvida e convicção
Céu e Inferno
Fidelidade e traição
Planos e vida
Ou sonho e realidade
Certeza e confusão
Agora e depois
Dane-se o antes
Sol e lua
Aceitação e repúdio
Achado e perdido
Lembrança e esquecimento
Desentendimento e compreensão
Poesia e poesia
Morte e explicação
Enigma e solução
Miopia e boa visão
Mistério e segredo
Nome de filme e sua tradução
Pergunta e resposta
Bota e chinelo
Saia e vestido
Fome e pizza
Começo e fim

domingo, 16 de junho de 2013

Esperança

 A esperança é um demônio pérfido e, em meu ver, o pior de todos os monstros deste mundo. Sua engenhosidade maléfica sempre foi admirável. Pensem: quando Pandora abriu a caixa do caos, quem foi a única a ficar para trás? Quem permaneceu na caixa, continuou ali em seu cantinho, e assim se alojou no âmago do coração humano? Pois é... Os deuses mandaram o caixote para foder com a humanidade, puni-la até os confins do tempo. É burrice ou ingenuidade demais de nossa parte achar que dentro daquele presente de grego haveria algo de bom.

 A natureza da esperança é parasitária e ela vive em simbiose com o organismo que a possui. A sutileza e a habilidade de tal ato são tamanhas que poucos chegam a notar isso até ser tarde demais, como os cordeiros que não enxergam a lâmina do abatedor até ela já estar cravada em suas gargantas. O mecanismo de funcionamento na verdade é inteligentemente bem simples. Ela nos coloca em seu colo, nina, dá o seio para nos alimentar, como se fosse nossa mãe, e caímos na tentação de experimentá-lo para sobrevivermos. Mas as glândulas mamárias estão vazias, mais secas do que uvas passas, e nossas bocas já estão na botija, e estamos sugando aquilo como se não houvesse amanhã. Ludibriados, nunca reparamos que o leite não sai. A sensação aprazível que sentimos no momento é uma toxina liberada pela criatura. Um veneno que alucina e vicia. Pura ilusão em forma de prazer.

 Ao final do dia, somos nós que nutrimos a esperança no processo todo. Somos nós que a alimentamos e a deixamos mais forte enquanto enfraquecemos e definhamos com o andar da carruagem. Ela nos derrota, e assim tornamos-nos servientes aos seus caprichos.

 É o demônio mais perigoso por ser o mais atraente de todos. Aranha gorda que com sua teia nos pega e devora. E sempre cairemos nessa. Estava nos planos de castigos divinos. Você não recebeu o memorando?


 Esperança é inevitável.

domingo, 21 de abril de 2013

Fosse eu rei do Mundo

Por versos tão singelos. Minha voz se cala. Deleito minha alma no devaneio da escrita. Monstro da escuridão. No absoluto de mim mesmo. Quando nada mais me resta. Quando as lágrimas do tempo já ressequidas, Espargidas de tanto pranto. Isolado do mundo. Está o poeta ou quem sabe na humilde existência o sonhador errante. Sufocado pela solidão que inspira. Em noites frias de insônia corroi. Irremediável. Fruto do meu prórpio ser. Dualidade do meu próprio ter. Odeio, amo. Existo, resisto. Me afundei nos encantos, Nos desencantos da solidão. Tornei monstro do meu ser. Ha de ser pura satisfação do ego amedrontado pelo mundo decadente? Guerra, Ódio, Poder, Dinheiro, Consumismo, Arrogância. Fadado pela maldade que me apavora. Me sinto só talvez por medo de viver quando todos apenas existem. Ou minhas respostas se resumiriam ao amor ainda escondido, oprimido pela amada que ainda não amei, ainda ausente? Não sei bem ao certo ou sei? Somos ainda incapazes de defino-lo, mas somos capazes de senti-lo. Ha o amor, Fonte do viver, tenho nele tudo que preciso. Minhas noites mau dormidas, Meus dias de sofrimento, Momentos perdidos no tempo da vida, Vidas perdidas no tempo, Seriam esvaecidos. Tudo alegre. Tudo assim. Além do bem e do mal, disse Nietzsche, está o amor. Fosse eu rei do Mundo a guerra se chamaria amor.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Cotidiano

   Acordo. O amanhecer me assusta. O ar carregado de orvalho e possibilidades latentes mescladas com a incerteza do que virá a partir do momento em que meus pés saírem da cama e tocarem o chão eriçam os pelos de minha nuca. Talvez existam surpresas nas sombras. Meu coração palpita, alucinado. Junto coragem e me levanto. Faltam exatamente vinte e quatro horas para o terror e a tensão recomeçarem. Até lá, resta-me a rotina.

Comunicação

   Eu me escondo atrás de palavras e mais palavras. São minha espada e meu escudo. Às vezes, espelho. Como assim, às vezes espelho? Nem sempre elas refletem o que realmente quero dizer ou o que penso. Simplesmente criam vida própria. Saem pulando e brincado do útero da gramática direto para a tinta e o papel ou para a língua, e destes correm para o mundo, trazendo suas alegrias e atrocidades na bagagem. Fazem bens e maus que nunca desejei causar. Seja esmagar borboletas que resultam em terremotos, seja roubar o sorriso puro de uma criança ou uma lágrima de qualquer um. Coleciono lágrimas, tenho de todos os sabores e tipos.

   Eu falo mais com o silêncio e com os olhos. Quem quiser me conhecer mesmo, que os encare. E aceite algumas palavras de vez em quando.

A Bendita Maldição de Pitágoras

  Apesar de odiar matemática, inevitavelmente, pela ironia que rege o mundo, sou o resultado de somatórias, subtrações, divisões e multiplicações. Devo aceitar isso, e você também, por mais que odeie matemática como eu. Tem certas coisas na vida que ao negarmos acabam em zero.

O Tolo

   Um dos pés atravessa a porta. Por um minuto ele pára. Hesita. A estrada se estende rumo ao desconhecido horizonte à sua frente, até perder-se de vista. Sempre quisera fazer aquilo. Respira fundo e avança. Com passos repletos de temor e ousadia, segue o viajante, peregrino, vagante, aventureiro de alma errante, despreparado ao que encontrará no final do caminho. Só uma coisa sente em seu coração: que a paz, este desejo supremo de seu ser, está em algum lugar, lá e de volta outra vez.

   Mal sabe que ela jaz dentro dele, dormente. Precisa apenas ser notada e despertada. Tal qual um dragão.

   JK Rowling estava errada.
 
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