segunda-feira, 30 de julho de 2012

Noite, me abraça.


  São poucos os que conhecem realmente bem a noite, fazem parte dela, íntimos das trevas como amantes ou filhos de seu útero érebo. Corujas e morcegos sabem do que estou falando. Sabem como é o gosto do orvalho na boca, conhecem o som dos sonhos, a aspereza das estrelas e a suavidade do luar, e estão familiarizados com o perfume da esperança e o fedor do medo pairando no ar cheio de possibilidades latentes.
  Você pode ser caçador e caça, visível e invisível, pode até ser alguém que cavalga o vento e a própria escuridão, ou ser alguém abatido por eles antes de sequer conseguir gritar. É a hora das fantasias e a hora das verdades.
  Segredo que lhe confesso, só as corujas, os morcegos e as pessoas alimentadas pelas tetas da via láctea ficam de fato admirados quando o sol lança seu primeiro raiar sobre as terras maculando toda a beleza negra melancolicamente feliz da pérola noturna, e apenas eles detêm o mistério da sobrevivência das sombras projetadas pela luz.
  Noite, me abraça.

domingo, 22 de julho de 2012

Corisca


Corisca, te belisca, lá fora chuvisca
Arisca, pisca que te assopro o cisco,
Te rabisco um visco, corro o risco
De virar lacaio do teu amor

Mima, me rima, entra no clima,
Com estima pra cima, vê se te hasteia
Anseia na veia lua, a vida chateia
Faltam janelas pra ti voar, condor

Repentino, o destino segue o desatino
Matutino e vespertino gira-gira
Dá e tira, aspira, verdade ou mentira,
Serve aos caprichos de alguém

Mas quem?

Abraços e laços, nós sem embaraços,
Somos pedaços de espaços no céu
O véu jaz ao léu, com corpos de mel,
Há brincadeiras e atos de fé

Segredos do enredo, lá no rochedo
Bem cedo o vinhedo vê acontecer
O não ser, o não ter, e até o florescer
De rouxinóis naquele só pé

Vento, me tento a deitar ao relento
Atento ao desalento de sua canção
A oração está na mão da contradição
Por que unir se é pra ficar separado?

Deus estará alguma vez errado?

sábado, 14 de julho de 2012

Desabafo ou ponderações egoístas


              Não sei o que acontece comigo. Vivo da maneira que eu quero, com praticamente nenhuma rotina, dormindo quando me dá sono, comendo quando me dá fome, estudando coisas que gosto, lendo e escrevendo constantemente. Tenho a garota mais incrível do mundo ao meu lado, nos amamos mutuamente e muito, como naqueles filmes em que o casal passa por algumas crises e continua junto no final, pois tudo não passou de desafios a serem superados para fortalecer o laço e o sentimento e blablabla. Vocês já sabem a história, vem sendo reencenada desde que os primeiros apaixonados descobriram o romance. Tenho uma família normal, cheia de qualidades e defeitos, mas não escolheria outra se fosse me dada a chance. Estou bem na que nasci e nasceria de novo nela se pudesse (isso soa mais estranho quando dito em voz alta, garanto). Tenho amigos que considero irmãos e irmãs, extraordinários cada um de seu jeito particular, e todos seguem comigo por partes desta estrada curva chamada de vida. Nos encontramos cá e acolá, alguns se despedem e outros sempre retornam. Assim vamos rumando para o incerto futuro, confiantes de que em algum momento o bar se encherá novamente com as nossas vozes ébrias e risadas ressoantes, ou com nossos choros e confissões, alegrias e tristezas ditas e não ditas. Mesmo que os amigos e amigas tenham mais linhas do que minha namorada e minha família neste texto, não estou colocando-os acima de ninguém, veja bem. São todos igualmente importantes para mim, e acredito que seria muito doloroso perder qualquer um deles.
                Então, o que há de errado comigo? Me sinto um ingrato reclamão, alguém que não valoriza o quanto deve de fato valorizar o que tem e quem é, e por isso acabo me tornando um babaca de marca maior. O que falta em todas as coisas que listei acima? Eu mesmo. Parece que assisto a minha vida se desenrolando perante meus olhos como se tudo fosse um miserável déjà vu, ou como se eu simplesmente não fizesse parte dela. Sou o protagonista da minha existência, puta merda. Era para eu degustar cada átomo dessa terra, era para deixar o ar entrar nos pulmões com um sorriso na cara e ficar feliz por estar aqui ainda. Não estou morto, oras. Afinal, a morte na minha perspectiva é a alma deixando este velho pedaço de carne e ossos para trás e indo para Deus sabe lá aonde as almas vão quando descarnam, mas o que sinto é a carência de ligação com minha alma. É como se a linha telefônica estivesse muda. Ela está comigo, porém desligada. Cadê o fio que nos unia? Perdi nalguma dessas noites de insônia? Perdi no acidente de carro que quase me custou um caixão quinze anos atrás? Se não é morte a alma ecoar ausência e o corpo permanecer vivo, o que é, então? Não inventaram um nome em língua alguma para o deterioramento do motor do espírito, para aquela hora em que ele consome todo combustível e estagna o movimento. Se não fizerem isso logo, eu farei.
                Só sei, sei com a certeza que apenas poetas e doidos conhecem, que ainda há fogo para se queimar aqui dentro de mim. Sua intensidade está ínfima agora, no entanto não se extinguiu completamente. Fui feito das chamas e do pó das estrelas que desbravaram os céus na primeira alvorada da Criação. Tenho um universo no espírito, como todos têm, e embora ele caiba na cabeça de um alfinete, se expande incansavelmente girando e girando da infinitude à eternidade. Preciso rasgar as páginas do tempo e espaço. Preciso procurar a animação perdida. Carpe diem? Nunca fui muito bom nessa porra. Tal qual uma praga bíblica, devorei tudo que apareceu na minha frente com uma fome insaciável, fome de vida, e nada consegui no processo, apenas vontade de mais e um vazio crescente nos olhos e no coração. Talvez tenha trilhado o caminho da autodestruição, e não o vivente que deveria ser. Foda-se. Quero paz, paz, paz. Equilíbrio. Por que vocês são tão malditamente difíceis de conquistar, hein, seus putos?
                Deus, caso esteja aí me ouvindo, dá um sinal. Não vale mostrar o dedo médio. E me faça enxergá-lo direito, ok? Tenho problema de vista e uns parafusos a menos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Tristeza


O que será que pensava Deus quando inventou a tristeza?
Aposto que ele andava meio acabrunhado, cabisbaixo,
Pelos cantos do paraíso, melancolicamente imaginativo
Não posso guardar isto comigo, pensou, preciso criar
Algo que contenha toda esta doença que me assola
Perto de um riacho, pegou um punhado de barro
E fez o primeiro homem, oco, preenchendo-lhe
Com todo aquele sentimento que Lhe maltratava

E a felicidade, onde fica nesta história?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Rosa


Há um recanto no encanto dos teus olhos
Uma coisa tão bonita que ganhou o meu clamor
Há tanta verdade, que beldades são teus olhos
Fortalezas e mistérios em apenas uma flor...

A rosa que nunca morria, que nunca morreu
O amor que nunca foi e que sempre será
Queria ter a magia, o dom de viver todo dia
Ao teu lado, sob as estrelas e o luar.

Você tem violão no coração e poesia na alma
Uma voz de rios bravios buscando calma
Mulher de virtudes e força, que natureza dengosa
Com seu perfume, você vem toda formosa...

A rosa que nunca morria, que nunca morreu
O amor que nunca foi e que sempre será
Queria ter a magia, o dom de estar todo dia
Ao seu lado pela eternidade a caminhar.

Conheço teus defeitos e jeitos como ninguém
Te desejo muita felicidade e nada além
Até admiro a tristeza quando dividimos lamentos
Sei que a vida não é só contentamento...
(Também sei que a vida tem os seus momentos...)

A rosa que nunca morria, que nunca morreu
O amor que nunca foi e que sempre será
Queria ter a magia, o dom de sonhar todo dia
Ao teu lado, sem jamais me despertar.

Tenho a esperança de uma criança, confesso
Mas esta é a esperança de um trovador
Você já sorriu e partiu, e eu não me despeço
Nem peço desculpas por ser tão sonhador...

A rosa que nunca morria, que nunca morreu
O amor que nunca foi e que sempre será
Queria ter a magia, o dom de viver todo dia
Ao seu lado...

Geni


Estou cansado desabo no leito do peito da morena que passa e sorri
Cascatas negras nas costas serenas das penas de um amor que perdi
Apesar dos defeitos, aceito com todo o respeito qualquer situação
Até agulhas extremas de algemas pequenas; morena, cadê o perdão?

Fiquei prostrado abalado ao andar requebrado de marinheira, Geni
Veio enfeitada matreira banhada e pelada na cheia lua, eu vi
Ai quem me dera a fera rolasse a esfera à espera de minha canção
E seu espanto tirasse o manto, mortalha gentalha, do meu coração

Já fui enganado esnobado e confesso que peço ao senhor bem-te-vi
Que leve pra um canto todo o desencanto deste amor que sofri
Sujeito todo insatisfeito prossigo como bom inimigo dessa doce ilusão
Com espada e escudo, estudo o espinho e mudo o caminho das mãos

Leio a Sorte, sou forte, mas da menina da esquina jamais me esqueci
Sarracenas cascatas nas serenas costas de penas e pernas, amei apenas Geni
Maldita Geni...
Bendita Geni...

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Destino dos Deuses


Alguém sabe ou supõe
Que sina teve o panteão do Olimpo?
Arrisco dizer que aquilo
Rolando abaixo as escadarias do tempo
É a cachola do grande Zeus.
E que o Inferno está fechado
(está à venda, aos interessados)
Porque Hades enloqueceu.

Hera e Afrodite viraram rameiras
Apolo, um canastrão,
Ártemis casta, foi corrompida,
Hermes tornou-se ladrão.
Ouso imaginar Ares aposentado,
Um hippie nos anos sessenta.
Héstia e Hefesto casados
Com três filhos e um fusqueta.

Atena, muito sabida, continua a mesma
Só que está mais radical.
E Poseidon, velho lobo-do-mar,
Cada vez mais brutal
Nunca abandonou seus desígnios.
Os Titãs já são história...
As Moiras foram para o asilo...
Quanto ao resto se ignora.

Cadê todo mundo???

  Tem alguém aí??? Leitores, se manifestem!!! Deem sinal de vida!!! Divulguem o blog se gostaram dele!!! E, caso não queiram escrever nos comentários, enviem e-mails com críticas, opiniões, sugestões e as explicações do desafio para ctelcontar@hotmail.com.
  Estarei esperando por vocês.
 
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