Gostaria muito de conseguir semear
Um poema hoje para amanhã colher
O mais saboroso fruto, o amor.
Gostaria muito de apenas capturar
Uma estrela agora, pois a ela daria
O nome que me vem à mente.
E gostaria muito que este nome
Gravado a fogo não fosse
O do rosto em meus sonhos.
Gostaria porque seria mais fácil,
Gostaria pois não desejaria, acho,
Que tais sonhos virassem reais.
Afinal, gostaria, de fato, que você se tornasse
O amor que amanhã eu colheria.
Assim planto, neste instante, poesia.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
O inverno está chegando...
Prometi a mim mesmo que durante muito tempo não colocaria um olho sequer na série ou nos livros "As Crônicas de Gelo e Fogo", de G. R. R. Martin. Eu já sabia que quando isso acontecesse, virar um fã fanático seria inevitável.
Confesso que tinha minhas dúvidas a respeito de Game of Thrones no começo. Rumores demais de que era algo que lembrava "O Senhor dos Anéis" (o amor literário da minha vida!!!) com uma boa dose de sexo e uma extra de intrigas. Fiquei receoso que fosse verdade, porém desde o momento em que li a primeira página do primeiro livro e assisti ao primeiro episódio da HBO, meus medos se mostraram idiotamente insignificantes.
Há sexo? Claro, e muito. Reviravoltas em todo lugar? Sim, e creio que não seria um bom romance de disputa pelo trono se não tivesse isso. É como "O Senhor dos Anéis"? Não. Esqueça as comparações. As dinâmicas presentes nas obras de Tolkien e nas de Martin são bem diferentes. Recomendo a todos que leiam um pouco dos dois e/ou assistam às adaptações de seus trabalhos. Vocês vão concordar comigo que os corações que embalam as histórias de ambos, embora bombem em suas veias imaginação, magia e fantasia puras, são distintos.
No entanto, não nego que a influência de Tolkien se faça por vezes presente. Até um cego notaria que Martin leu e bebeu da fonte tolkeniana. Mas digamos que ele aprendeu com o mestre e, como qualquer bom aluno, prestou sua homenagem ao professor colocando seus ensinamentos mais importantes em prática e criando algo novo. Ao ser original enquanto se apóia em ombros de gigantes, Martin acabou mostrando, como um bom aprendiz tenta com frequência fazer, que tem potencial para superar o próprio mestre. Veja bem, não estou falando que ele conseguiu! E veja melhor ainda, por idolatrar tanto Tolkien sou suspeito para dizer tal coisa!
No final, se há uma coisa que posso certamente afirmar, é que o autor de "As Crônicas de Gelo e Fogo" faz por merecer um lugar entre as constelações de grandes nomes da literatura mundial. Caso ninguém o tenha colocado lá ainda, não sei o que estão esperando! Para mim, ele já ganhou uma cadeira junto a Tolkien no panteão dos escritores. Agora jamais me esquecerei de que "o inverno está chegando...".
PS: na foto, eu desfrutando meu momento mais nerd de domingo sentado no objeto mais cobiçado de toda a série. =D
sábado, 21 de abril de 2012
Autoantropofagia
Madrugada chora. Eu como o meu coração
Para ver se não sinto mais nada
Arrebentam-se as cordas de meu violão
Quem me dera ter comigo uma espada
Cortaria as lágrimas celestes em fatias
E as serviria com alguns pedaços meus
Prato de um tolo que achou que sabia
Jurava que tinha um amor todo seu
Você relembra? Já fomos um dia
Um único ser. Então virei canibal!
Comecei lambendo o que me feria
E terminei mastigando a dor animal
Autoantropofagia
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Minúcias
Mais uma noite em claro. Por que existem pessoas que dormem tão bem, pessoas que dormem mal e pessoas que nem dormem?
Mistérios da vida à parte, andei conversando com alguns amigos e explicando detalhes dos poemas, quero dizer, as referências literárias, históricas, musicais etc que faço. Gostaria que vocês, caros leitores, também apreciassem essas pequenas sutilezas.
Assim, para aumentar vossa degustação poética e saciar os interessados em minúcias, a partir de agora comentarei cada texto publicado quando nele houver algum tipo de referência.
Espero que vocês estejam gostando. Fiquem ligados! Tenho uma tonelada de material para o blog e vou postá-lo, pouco a pouco. Além disso, a fonte das ideias não se esgota.
Ah, e se alguém quiser compartilhar alguma das publicações daqui, por favor, nos avisem e deem o crédito aos devidos autores. Eu e a Rachel agradecemos muito.
Um bom dia para todos! Rezarei para ver se Morfeus tem clemência de mim...
Oblíquo Manuscrito
Menina morena, uma mulher feita de aurora e beleza pura
Seus cabelos têm estrelas derramadas nas madeixas escuras
Sua tez é tão macia quanto o terminar de uma nova madrugada
Amanhece em mim como o sol despontando atrás de colinas enevoadas
Me desperta contigo, eu preguiçoso, você linda namorada
Seu olhar de pradaria que se estende até os limites do infinito
É tudo que explorarei e registrarei neste oblíquo manuscrito
Seus mares castanhos e tempestuosos eu adoro navegar
Seu corpo de terra minha é tudo que desejo amar
Você é, mulher morena, quem eu quero me casar
Beleza e aurora pura, dá-me seu amor eternamente
Vem comigo, vamos juntos, vivendo sempre em mente.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Morte em poesia
Uivam fantasmagoricamente os zéfiros serenatas noturnas
Mil vozes nas trevas trazendo agouros de más fortunas
Morte, seu bater de asas encantador, que som último e imortal!
Música para ouvidos cansados e desesperados, és tu, no final!
Bramem as banshees réquiens para todos finados jovens
Que com mortalhas fiadas por aranhas chorosas recobrem
Ah, Morte! Oh, vidas breves que num sopro levas embora
Como dentes-de-leão ninados pela ventania mundo afora
domingo, 15 de abril de 2012
Duo Corda, Sursum Corda
Gostaria de ter em meu peito dois corações
Um para se apaixonar e ser partido
Outro para ser somente meu e intacto
Intocável pelo tempo e pelas pessoas
Que o coração todo alquebrado lidasse
Com todas essas coisas, todos esses problemas
Mas uma pena seria, entretanto,
Pois o coração que guardaria para mim mesmo
Seria fraco e feito de papel
Enquanto o outro, apesar de tanto sofrimento
E de tantas cicatrizes,
Seria sábio como Deus, seria forte como rocha
Sursum corda
Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum
sábado, 14 de abril de 2012
Canção do homem que era Quarta-Feira
Nove dias e noites passei pendurado
Na grande árvore sacrificado
A mim mesmo ofereço esta morte
Sussurrei ao frio vento norte
Sessenta e quatro horas fiquei sem saber
Se estava vivo ou morto, ou o que ia acontecer
Estrelas valsavam perante os olhos meus
Até que fui envolto no mais escuro breu
Fora do espaço, fora do tempo,
Nenhum sentido, nenhum lamento,
Andei por desertos e florestas intermináveis,
Naveguei céus e mares inomináveis
De repente, houve uma luz como o sol
Eu a agarrei, e por estradas em caracol
Segui meu caminho de volta a algum lugar
Estava nu, na árvore, sentindo a brisa soprar
Em minhas mãos, jaziam letras pequenas
Formando uma palavra apenas
Mais três dias e noites enforcado passei
Até enfim aprender como ressuscitei
A resposta eu segurava forte nas mãos
Ninguém mais sabia, ninguém saberia
Que o misterioso segredo da ressurreição
É algo escondido em todo coração
O pintor
Um momento praticamente congelado no tempo
Câmera lenta de um jovem artista que intenta
Capturar em sua tela a chuva, gotas na aquarela.
Imortais, desaceleradas no céu por um simples pincel
Formam desenhos complexos, teias e padrões amplexos
Em miríades de caleidoscópios e caleidoscópios de miríades.
Cabalisticamente sabático, sabaticamente cabalístico,
Quadro de lágrimas matizadas e num arco-íris seladas.
Oh melancólico pintor de tardes chuvosas sem amor.
Nada
Às vezes tenho pena do nada.
Pobre coitado, nunca foi responsabilizado,
Nunca sentiu o peso de uma ação errada,
Nunca sentiu culpa.
Nada é perdoado, sempre.
E ele se perdeu, dentro de si e para todos,
Fora do alcance de qualquer memória,
Uma recordação apagada,
Um espectro evanescente na mente encruzilhada.
Pois nada é esquecido, sempre.
Nada.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Vermelhos
Vermelhos, rubros, escarlates. Sexo e morangos
Muito irados com uma raiva toda açucarada
Abóbada exangue em papel machê derramada
Manchas de café cardíaco nas sagradas escrituras
Em lençóis outrora feitos por puras vestais
Jazem escarlates, vermelhos, rubros rubis e beijos
E virgens apaixonadas, com lábios tão inchados
De volúpia e paixão, sem vergonha esparramados
Luxúria de morangos e corações batidos
Cama. Corpos, suor e pernas, sustenidos
Rubros, escarlates, vermelhos, impecados, sacros
Num harmônico paraíso cheio de doçura.
Quanta candura (há no amor)!
Guerra
Cospem os enxames flamejantes suas pragas
De marimbondos de ferro e de aço
Pequeninos deuses da morte que
Deleitam-se mordiscando a carne e
Embriagando-se em banhos de sangue
Seu menu de hoje é o mesmo de ontem
Que era o mesmo de anteontem... Enfim,
Há inocentes para o lanche, cadetes para o almoço,
E generais para jantar. Seis estrelas para acompanhar!
Veja como cantam em meio à carnificina
Melodias de gritos e súplicas de misericórdias
Zunzunem, marchando pelo tabuleiro, fardados
Com os narizes empinados, insetos letais
Ostentando bandeiras de nações morumbáticas
Terror, terror, tanto horror, e para o vencedor as batatas putrefatas!
Terror, terror, tanto horror, e para o vencedor as batatas putrefatas!
Terror, terror, tanto horror, e para o vencedor as batatas putrefatas!
Terror, terror, tanto horror, e para o vencedor as batatas putrefatas!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Doudos
- - Comprei um novo travesseiro de ouriço?
- - Mas o que é isso?
- - É a última moda em Paris!
- - Ah, como o terno de zebra risca-giz.
Tenho um destes no meu armário
Pendurado com os morcegos dromedários.
- - Por acaso você tem alguma cartola?
- - Só se for uma de gato frajola.
Porém, ele mora dentro dela.
Era de um mágico. Foi bagatela!
- - Você pode me vendê-la, então?
- - Eu troco pelos seus óculos de camaleão
Ou pelo seu chinelo-sapo made in Komodo.
- - Ok. Vou pegar lá no meu réptil-cômodo.
- - Antes venha ver meu aquário de elefantes dourados.
- - Não seriam peixes de ouro pintados?
- - Os meus são peixes paquidérmicos, meu caro.
- - Nossa, mas que espécime raro!
- - Autor, que história mais maluca!
- - Maluca?
- - Você deve ser um belo lelé da cuca.
- - Leia sobre a porta, leitor desatento, há duas frases grafadas:
Tem “Manicômio”, sim. Mais “A imaginação está liberada!”.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Um olá insone!!!
Prazer para quem não me conhece (não, madrugada, não é com você que estou falando). Permitam que me apresente. Sou um velho vagabundo que erra pelos céus noturnos como uma estrela embriagada pelas chamas das palavras. Já faz algum tempo que queria criar um canto como este, um lugar para mostrar ao mundo os vários universos que há dentro de mim. Finalmente, com uma ajuda extra e uma boa dose de coragem e loucura, consegui fazê-lo.
Creio que alguns desses universos já sejam familiares para vocês. Afinal, todos os universos, os meus, os seus, o próprio em que vivemos: todos se originam da imaginação. Ela é a divindade principal aqui. É energia criativa. É a gravidade que traz as palavras para dentro de nós e o impulso que as lança para o exterior de nossos seres. Um big bang constante, que vem e vai lentamente como a respiração de um moribundo, embora não esteja de fato morrendo, pois a cada instante ela padece e ressuscita numa dança cósmica infinita tão rápida que raramente nossos limitados olhos mortais chegam a notar. Comparados a este acontecimento, os neutrinos são tartarugas de tão devagar!
Se me perguntarem qual a matéria constituinte da vida, diria que é a magia do sonhos. Algo que não controlamos totalmente, que se faz presente quando dormimos e quando acordamos, que nos cerca e jaz dentro de nós como pérolas dentro de ostras.
A vida é frágil, mas enquanto ela possui um fim, os sonhos permanecem. Eles têm potencial para a eternidade, e são o legado que deixamos quando partimos. Histórias, canções e mitos sobreviveram às ruínas de gigantescas civilizações. Ainda estão vivos entre nós, nos tocam, emocionam e fazem pensar sobre as mais variadas coisas das mais diferentes maneiras possíveis (e algumas até impossíveis).
Bom, chega de devaneios. Perdoem-me se os cansei com tais divagações. Bom, este blog é para isto mesmo, então retiro o pedido de desculpas. Leiam e deem suas opiniões a respeito dos textos e poemas.
Críticas bem feitas e construtivas serão mais do que bem-vindas.
Um oi e um abraço a todos,
Cauê
Creio que alguns desses universos já sejam familiares para vocês. Afinal, todos os universos, os meus, os seus, o próprio em que vivemos: todos se originam da imaginação. Ela é a divindade principal aqui. É energia criativa. É a gravidade que traz as palavras para dentro de nós e o impulso que as lança para o exterior de nossos seres. Um big bang constante, que vem e vai lentamente como a respiração de um moribundo, embora não esteja de fato morrendo, pois a cada instante ela padece e ressuscita numa dança cósmica infinita tão rápida que raramente nossos limitados olhos mortais chegam a notar. Comparados a este acontecimento, os neutrinos são tartarugas de tão devagar!
Se me perguntarem qual a matéria constituinte da vida, diria que é a magia do sonhos. Algo que não controlamos totalmente, que se faz presente quando dormimos e quando acordamos, que nos cerca e jaz dentro de nós como pérolas dentro de ostras.
A vida é frágil, mas enquanto ela possui um fim, os sonhos permanecem. Eles têm potencial para a eternidade, e são o legado que deixamos quando partimos. Histórias, canções e mitos sobreviveram às ruínas de gigantescas civilizações. Ainda estão vivos entre nós, nos tocam, emocionam e fazem pensar sobre as mais variadas coisas das mais diferentes maneiras possíveis (e algumas até impossíveis).
Bom, chega de devaneios. Perdoem-me se os cansei com tais divagações. Bom, este blog é para isto mesmo, então retiro o pedido de desculpas. Leiam e deem suas opiniões a respeito dos textos e poemas.
Críticas bem feitas e construtivas serão mais do que bem-vindas.
Um oi e um abraço a todos,
Cauê
