domingo, 24 de junho de 2012

"Canção de Beren e Lúthien", por Tolkien Ensemble

  Lá e de volta outra vez.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vendo

Vendo um mundo,
Impassível à noite calada
E com ótima vizualização do universo.
Vendo-o, e estou desesperada.

Venderei-o para ambiciosos ou vingativos
Pois farei, assim, alguém feliz.
Dou-lhe, oh comprador, meus distintivos
Quero, novamente, ser aprendiz.

Tal mundo tem mentiras e fracassos,
Violência e ódio,
Cabeças frias e frouxos laços,
Venha, e suba logo neste pódio.
 
Já não há o que fazer por aqui,
A não ser comandar esta pensão.
Tudo eu perdi,
Exceto minha razão.

Por isso, aqui fica tudo que fora perdido,
Deixo as guerras, os campos e a chuva,
Assim como meu amor desmedido
E, pra não sujar uma de suas mãos, deixo-lhe uma luva.

Direi o preço da Terra e da gravidade
Sem metáfora ou demora:
Solidão, conhecimento e liberdade.
Com minha guitarra flamejante, já vou embora.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Soneto


Desenhos engraçados no vidro embaçado
Todo um universo dorme e ronca lá fora
Piscam os postes e neons por onde eu passo
Como antigas amantes sedutoras na noite

As ruas molhadas com pessoas orvalhadas
Numa cidade pútrida de enxofre e horas
Desamarradas do relógio. Descompasso
Ondulações no tecido lacustre da meia-noite

Um soneto, alguns versos em branco e preto,
Jogados contra as paredes corroídas do medo
Creio que ainda cheguei um tanto cedo

Algumas rimas, desconexas ou com cismas,
Escritas nos vidros embuçados de janelas
Ocultas em faces já cansadas de querelas

domingo, 10 de junho de 2012

Desafio

  O poema anterior é repleto de referências da cabeça aos pés. Foi feito por mim como homenagem a vários artistas e obras dos mais diversos meios culturais, além de incluir uma ou outra alegoria a velhos ditos populares e alguns jogos de palavras.
  Proponho um desafio: quem descobrir o maior número de referências dentro de um mês terá o nome publicado no blog junto a um texto de sua própria autoria e receberá diretamente em casa uma caixa de bombons (após me passar o endereço, é claro),
  Para começar e ser justo, vou ajudá-los com uma que vocês jamais poderiam saber: a parte da Austrália tem a ver com algo que estou escrevendo e pretendo publicar num futuro próximo. O título provisório desse livro é "O Mundo em seus fins".
  Tirando isso, o resto é por vossa conta.
  Boa sorte a todos!!!

PS: quando o prazo acabar, farei um post explicando tudo que está presente no poema. Palavra de poeta morto.

Heróico Pout-Pourri


Bem no início, encarando o precipício,
A Dama Funérea foi minha consorte.
Veio comigo no primeiro desembarque,
Junto à ideia de dinossauros num parque.
Deus então jogava dados como esporte.

Poucas fogueiras e mel lambiam os céus,
Na aurora da Ciência e Magia, as irmãs.
Só existiam cogumelos, xamãs e poemas
Enoquianos recitados de alturas extremas.
Os astronautas cinzentos queriam é fãs.

Estudei sânscrito como um proscrito,
Depois de ser amaldiçoado divinamente
Junto a Nabucodonosor com a licantropia.
Qual menino-lobo, vagabundeei dia a dia,
Até Proteus me restaurar com sua mente.

Perdido na Ilha, convenci Calipso de que isso
De esconder coisas era grande bobagem.
“Pegue Ulisses e o amarre na cama contigo”
“Pois graças a ele Roma logo será um perigo”
“Enéias carregou seu Cavalo na bagagem”.

Kublai Khan aconselhei, o motivo não sei,
Mas gostei de encontrar aquele tal Polo.
Então tive na Austrália a partida de xadrez,
O roubo da lua e o Constante Mago inglês.
Tento esquecer Chatotorix e seus solos!

Em plena escalada de Jacó e sua escada,
Lembro como Borges atormentava o alfabeto
Enquanto um garoto pelas ruas se torcia.
E a bela Capitu entre lençóis apenas ria,
Embora Gilead tivesse balas até o teto.

Confesso que o bravo era quase um parvo,
Orlando fora meu amigo na Liga descomunal.
Guiamos Virgilio e Dante em nossas jornadas
Batalhamos pelo férreo trono de espadas.
Excalibur cantou os clangores de metal.

E com Quixote, empunhando um archote,
Lideramos o êxodo da queda de Gondolin.
Enfrentamos exércitos de orcs e moinhos
Sobrevivemos comendo sobras e espinhos.
Quem me dera achássemos um munchkin!

Pinguins elementares entoavam hare hares
Para o centro da terra e ao seu redor
Ao viajarem comigo no zepelim da Geni
Lisa e Darcy chutavam alguns zumbis.
Oitenta dias de meditação e Suor.

Vivi o triste teatro de oitenta e quatro,
Era um mundo nada novo ou admirável!
Exceto pelo cemitério de livros esquecidos
Com seus heróis de mil faces lá reunidos.
Todos contra o fraterno detestável.

Já estive com escorbuto e marabutos,
Desbravando She e as Minas Salomônicas.
Sentei-me sob pesadas noites de calor,
Ouvindo griots narrar histórias de amor
Sobre Mu e sumidas terras polifônicas.

Dentro da branca baleia beijei uma sereia
Linda, morena e de beleza toda gótica.
Fui preso como Long John, sem tesouro,
Mas escrevi cem versos crus no couro
Quebrando assim as leis da robótica.

A Antártida foi evitada, quanta palhaçada,
Eram tempos de carnaval e prepóstero!
Sem especulares países ou rainhas de baralho,
Nem Marte e Sonhar, dei um nó no carvalho,
E não mais peguei a carona de Próspero.

Marília fui eu quem mostrou a Dirceu,
Eis porque dobram os sinos na prosa.
O idiota russo e os miseráveis de França
Têm comigo de Arkham boas lembranças:
Procurávamos por algum nome da rosa.

A lâmpada do gênio, durante um milênio,
Realizou meus desejos e vontades.
Fiz Sonserina se tornar uma doninha,
E a bela musa de Petrarca ser minha,
E dela jamais novamente ter saudades.

Acompanhando ciganos e segredos arcanos,
Numa tarde de março cheguei a Macondo.
Vi Melquíades ensinar truques ao maluco
Que corria derrubando parafusos dum cuco
Maravilhado porque o mundo era redondo.

Num pub em Dublin, conheci o velho Tim
Brindamos aos deuses ébrios do passado!
E ouvi sua história de despertar no caixão.
Dizia que o uísque bento fora sua salvação
Quando tocou seus lábios secos de finado.

Certa vez fiz um corvo virar um estorvo,
Berrando aos sete ventos “nunca mais!”.
Conversei com a Loucura de Rotterdan,
Aprendi o significado de ser Peter Pan,
E com a sábia Aranha assaltei cafezais.

Andando pelo Sol, eu fisguei como anzol
Uns Dráculas angelicais em suas centelhas.
Fausto, o Diabo e Milton comigo tomam chá,
Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá
E o detetive cuida bem de suas abelhas.

Em algum lugar, ao avistar enfim o mar,
Rugiram em mim ancestrais magiares!
Daí fui rei de castelos de areia corrida,
Mas as ondas destruíram a minha vida.
Estava morto quando passei por Antares.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Não sei...


Não sei o que há no lugar onde o céu beija o mar...
Nem qual mensagem se esconde no cantar do trovão...
Não sei de qual matéria são feitos sonhos, se de fumaça ou concreto...
Nem por que a luz insiste em iluminar as trevas e as trevas em apagar a luz...

Não sei por que pequenos momentos se congelam no tempo...
Nem se a chuva cai para lavar as almas que estão machucadas...
Desconheço a diferença entre o sábio e o tolo, o rosa e o cinza...
Não sei o que seria de minha vida se não tivesse você...

Mas sei o que é o Amor,  eu te amo muito...
Sei que a felicidade é real e você faz parte dela...
E também que Deus existe e olha por nós...
E isto já é o suficiente.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O espectador expectorante


O espectador expectorante assua toda sujeira que vê no tétrico drama da vida
Quando o palco é dele, outrem pega o lenço verde-musgo e faz a mesma coisa
Um mundo de espectadores sinusitais que expectoram incessavelmente como títeres triviais
A mão invisível os afaga e oferece mais uma dose de morfina
Alergia existencial e letargia cerebral racham a pele e o crânio de todos
Escorre a gosma humana pelos poros da galáxia
Haja lenço para tanta imundice e remédio para tanta realidade.
 
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