terça-feira, 19 de junho de 2012

Soneto


Desenhos engraçados no vidro embaçado
Todo um universo dorme e ronca lá fora
Piscam os postes e neons por onde eu passo
Como antigas amantes sedutoras na noite

As ruas molhadas com pessoas orvalhadas
Numa cidade pútrida de enxofre e horas
Desamarradas do relógio. Descompasso
Ondulações no tecido lacustre da meia-noite

Um soneto, alguns versos em branco e preto,
Jogados contra as paredes corroídas do medo
Creio que ainda cheguei um tanto cedo

Algumas rimas, desconexas ou com cismas,
Escritas nos vidros embuçados de janelas
Ocultas em faces já cansadas de querelas

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