segunda-feira, 30 de julho de 2012

Noite, me abraça.


  São poucos os que conhecem realmente bem a noite, fazem parte dela, íntimos das trevas como amantes ou filhos de seu útero érebo. Corujas e morcegos sabem do que estou falando. Sabem como é o gosto do orvalho na boca, conhecem o som dos sonhos, a aspereza das estrelas e a suavidade do luar, e estão familiarizados com o perfume da esperança e o fedor do medo pairando no ar cheio de possibilidades latentes.
  Você pode ser caçador e caça, visível e invisível, pode até ser alguém que cavalga o vento e a própria escuridão, ou ser alguém abatido por eles antes de sequer conseguir gritar. É a hora das fantasias e a hora das verdades.
  Segredo que lhe confesso, só as corujas, os morcegos e as pessoas alimentadas pelas tetas da via láctea ficam de fato admirados quando o sol lança seu primeiro raiar sobre as terras maculando toda a beleza negra melancolicamente feliz da pérola noturna, e apenas eles detêm o mistério da sobrevivência das sombras projetadas pela luz.
  Noite, me abraça.

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