Olho para o passado, contemplo por entre nuvens lembranças
Adentro a mansão das memórias passando pelos portões retorcidos
de tanto serem usados
Espio pelas janelas pintadas de pó, mas só vejo sombras e ouço
sussurros
Quando crio coragem o suficiente, meus dedos percorrem o
ferro da chave
Sinto o frio familiar e as ranhuras do tempo ao pegá-la
Giro a maçaneta, preparado para receber uma lufada de mofo e
teias de aranha na cara
Nada. Apenas o pesar do silencio cortado pelos meus passos
ecoando pelos corredores vazios
Tudo está como estava na última vez que vim, talvez até mais
arrumado do que me recordo
Cenas de eras se desdobram nos quadros das paredes, com seus
protagonistas me fitando enquanto caminho
Sei que por trás das portas há sonhos e fatos se misturando
numa orgia cronológica
Por escadas até a Torre eu sigo. Minha mente se estica como
manteiga sobre o pão conforme subo
(Vou chegar perante o quarto e...)
Paro perante o portal mais alto, enfeitado por dourados
entalhes, um nome e um símbolo
Respiro profundamente, me preparando como nadador antes de mergulhar
no precipício
É o quarto especial e ela está lá dentro. Sempre esteve.
Entro em paz, indo para um lugar onde não existem mais
palavras.
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