quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cthulhu ficaria orgulhoso


Não, não sou um homem de letras.
Que definição barata!
Por que insistem em me chamar assim?
Posso até não ser feito de carne e ossos,
Certo de que minha matéria é tinta e páginas.
Mas, antes, deviam notar que sou imaginação
Como vocês,
Pois é isto que nos faz homens.
Letras são apenas ferramentas, meus caros
Para construir palácios monumentais
De maravilhas perdidas
Em reinos de faça o que quiser.
Alguns detêm mais habilidade
No manuseio dos instrumentos,
Outros menos.
Alguns terminam sendo rústicos,
Enquanto outros se aprazem rebuscados.
Mas cuidado! Ocorre que, com um punhado
De fantasia e uma boa dose de loucura,
O ato de gerar novas realidades acontece
Automaticamente, e isto
Magicamente
Nos transforma
Em meros veículos.
Reparamos tarde demais:
Não somos nós quem controlamos as histórias
São elas que nos controlam.
Não as temos em mãos
São elas que nos têm
E nos usam como mero transporte físico
A fim de se espremerem pelas
Rachaduras
Entre
Dimensões...
As palavras tinham o maligno plano de dominar o mundo.
Já conseguiram.

1 comentários:

Cauê Tamburini disse...

"Cthulhu" é um dos personagens de H. P. Lovecraft, um dos maiores mestres do horror moderno, e apareceu pela primeira vez no conto "O Chamado de Cthulhu" (1928). É o carinha bonitão cheio de tentáculos da imagem.
Posto que ele é uma entidade cósmica pertencente à raça dos Grandes Antigos, seres com raízes desconhecidas e velhos como o próprio tempo que estariam agora "adormecidos" tanto na Terra quanto nos confins do espaço, só esperando despertar, julguei que seria interessante comparar as palavras em si com eles.
Por isso, o título é pura brincadeira.

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