Com suas mãos finas e brancas a terra ele escavou,
Sob o luar frio e infinito,
Procurando o amor escondido,
Mas fora um pergaminho que encontrou.
Nele, foram lacradas com palvras suas projeções e seus sentimentos
Restando ao garoto o Coração de Pedra,
Que, assim como o adubo, medra
E lhe serve de alimento.
Como uma alma fora do corpo
Ele via o rio correr
Voltando à fonte para beber
A água mais pura e não a virgem madura.
O amanhã já estava caindo,
Começou logo se despindo,
Sem resolver o que o ocupava,
Sem resolver o que o ocupava,
E desenhou uma velha cena
Dizem que tal garoto nunca mais fora visto
Pois apaixonou-se tão completamente pelo fogo de suas palavras
Que, no rio-espelho das madrugadas,
Abaçou a morte e disse: “leve-me pois me descobri, sou a
chama de Narciso”.
1 comentários:
Este é um dos melhores poemas do site. Para quem não conhece o mito grego, Narciso é o rapaz que, por puro egocentrismo, não correspondeu ao amor da ninfa Eco e por causa disso foi amaldiçoado pelos deuses: apaixonou-se pelo próprio reflexo nas águas de um lago. Daí vem o costume de chamarmos pessoas que se supervalorizam demasiadamente de "narcisistas".
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