Do pó ao pó, arrasto meus pés nos pálidos grãos
Que recobrem de ponta a ponta a praia do firmamento
Por entre meus dedos, escorregam biografias e mundos
Um tobogã caleidoscopicamente formado por matizes
Desconhecidas aos olhos dos seres que estão vivos
Ainda
Cinzas cobrem o mar que ao infinito e além segue
Imensidão que cabe na palma de minha mão
Por que tanta tristeza? Por que tanta felicidade?
Tudo que há neste oceano não tem menos do que
Cem olhos e trocentas pernas e inumeráveis braços
Nem todos os seus olhares juntos poderiam enumerar
A brisa que vem do oeste lambe minha face
Velha amante recheada de volúpia e pecado
Antes comer deste fruto do que ser ignorado
Mais uma reles gema perdida em meio às
Cordas e engrenagens que tudo movimentam
Tic-toc, tic-tac, faz meu coração, sincronia perfeita
Com o coro de almas que comigo jazem vagando
Pelas areias do globo de vidro raiado por Zeus
Tal bola de fulgurito novamente agitada
Deus ri
Morte ri
Tudo acaba
Do pó ao pó
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