Hoje escrevo, escrevo porque não mais aguento!
Gritam com roucas vozes rubras os corvos cegos da Fúria
Entoando canções de angústias e malogradas farsas nas
câmaras
De ventrículos, habitadas por ódios, vazios feridos e
cicatrizes ocas,
Antigamente um lar da perdição humana (extinta chama,
extinta chama. Clama!).
Pistões agora injetam o veneno amargo da cólera na árvore
das artérias.
E vão nadando, e vão pulsando... E vão valsando, e
trepidando...
Bombas nucleares, bilhões de sóis soturnos em miniaturas cinzentas
que
Acendem duas supernovas em minhas magras órbitas oculares.
Prosas.
Explodindo, destruindo, a tudo consumindo, zombeteiras,
rindo
Rios de pálidos glóbulos vagando até os confins
antimateriais do cosmos.
Tem baba de intensa e suprema raiva escorrendo nessas
entrelinhas,
Cuidado para não se manchar com versos inundados de sangue.
Vire as páginas com cautela! Não vá querer ver meu furor em
rinhas
Se abatendo sobre sua carcaça tal qual ave de rapina em caça.
Jugulares abertas com afagos de garras, portas escancaradas,
Prontas para receberem a eucaristia profana de todas as iras,
Guardadas outrora em caixa de Pandora, setes chaves de
tranca.
Quero ruínas. Esmagar montanhas e planetas com o polegar.
Quero destruição e caos e que a Morte seja coroada Rainha da
Vida.
Urro pelos corredores da loucura desejando derrubar os
dominós,
Chutar o quebra-cabeça das divindades, quebrar seus pescoços,
Arrancar os olhares passivos de seus escravos e morder seus
ossos.
Não se metam comigo. Não tentem, nem ousem. Não joguem com a
Sorte.
Até ela, senhora da Roda, sempre vencedora e abatedora dos
fortes,
Não é páreo para um filho das sombras e do inverno do Norte.
[Este é um poema das antigas. Não mudei muito, não...]
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