sábado, 14 de julho de 2012

Desabafo ou ponderações egoístas


              Não sei o que acontece comigo. Vivo da maneira que eu quero, com praticamente nenhuma rotina, dormindo quando me dá sono, comendo quando me dá fome, estudando coisas que gosto, lendo e escrevendo constantemente. Tenho a garota mais incrível do mundo ao meu lado, nos amamos mutuamente e muito, como naqueles filmes em que o casal passa por algumas crises e continua junto no final, pois tudo não passou de desafios a serem superados para fortalecer o laço e o sentimento e blablabla. Vocês já sabem a história, vem sendo reencenada desde que os primeiros apaixonados descobriram o romance. Tenho uma família normal, cheia de qualidades e defeitos, mas não escolheria outra se fosse me dada a chance. Estou bem na que nasci e nasceria de novo nela se pudesse (isso soa mais estranho quando dito em voz alta, garanto). Tenho amigos que considero irmãos e irmãs, extraordinários cada um de seu jeito particular, e todos seguem comigo por partes desta estrada curva chamada de vida. Nos encontramos cá e acolá, alguns se despedem e outros sempre retornam. Assim vamos rumando para o incerto futuro, confiantes de que em algum momento o bar se encherá novamente com as nossas vozes ébrias e risadas ressoantes, ou com nossos choros e confissões, alegrias e tristezas ditas e não ditas. Mesmo que os amigos e amigas tenham mais linhas do que minha namorada e minha família neste texto, não estou colocando-os acima de ninguém, veja bem. São todos igualmente importantes para mim, e acredito que seria muito doloroso perder qualquer um deles.
                Então, o que há de errado comigo? Me sinto um ingrato reclamão, alguém que não valoriza o quanto deve de fato valorizar o que tem e quem é, e por isso acabo me tornando um babaca de marca maior. O que falta em todas as coisas que listei acima? Eu mesmo. Parece que assisto a minha vida se desenrolando perante meus olhos como se tudo fosse um miserável déjà vu, ou como se eu simplesmente não fizesse parte dela. Sou o protagonista da minha existência, puta merda. Era para eu degustar cada átomo dessa terra, era para deixar o ar entrar nos pulmões com um sorriso na cara e ficar feliz por estar aqui ainda. Não estou morto, oras. Afinal, a morte na minha perspectiva é a alma deixando este velho pedaço de carne e ossos para trás e indo para Deus sabe lá aonde as almas vão quando descarnam, mas o que sinto é a carência de ligação com minha alma. É como se a linha telefônica estivesse muda. Ela está comigo, porém desligada. Cadê o fio que nos unia? Perdi nalguma dessas noites de insônia? Perdi no acidente de carro que quase me custou um caixão quinze anos atrás? Se não é morte a alma ecoar ausência e o corpo permanecer vivo, o que é, então? Não inventaram um nome em língua alguma para o deterioramento do motor do espírito, para aquela hora em que ele consome todo combustível e estagna o movimento. Se não fizerem isso logo, eu farei.
                Só sei, sei com a certeza que apenas poetas e doidos conhecem, que ainda há fogo para se queimar aqui dentro de mim. Sua intensidade está ínfima agora, no entanto não se extinguiu completamente. Fui feito das chamas e do pó das estrelas que desbravaram os céus na primeira alvorada da Criação. Tenho um universo no espírito, como todos têm, e embora ele caiba na cabeça de um alfinete, se expande incansavelmente girando e girando da infinitude à eternidade. Preciso rasgar as páginas do tempo e espaço. Preciso procurar a animação perdida. Carpe diem? Nunca fui muito bom nessa porra. Tal qual uma praga bíblica, devorei tudo que apareceu na minha frente com uma fome insaciável, fome de vida, e nada consegui no processo, apenas vontade de mais e um vazio crescente nos olhos e no coração. Talvez tenha trilhado o caminho da autodestruição, e não o vivente que deveria ser. Foda-se. Quero paz, paz, paz. Equilíbrio. Por que vocês são tão malditamente difíceis de conquistar, hein, seus putos?
                Deus, caso esteja aí me ouvindo, dá um sinal. Não vale mostrar o dedo médio. E me faça enxergá-lo direito, ok? Tenho problema de vista e uns parafusos a menos.

1 comentários:

Bella disse...

Cauê, meu amigo, que texto maravilindo! Acredite vc n está só nesse sentimento de apatia. N sou poeta nem doida (apesar de ter sérias dúvidas quanto ao doida) mas acho q te compreendo, essa vontade de se deixar queimar por esse fogo q sabemos q temos, mesmo c a impressão de q estamos afogando num mar de nada e q nem adianta tentar nadar p se salvar. Talvez a gente fique viciado nessa melancolia e na culpa de sempre querer algo q está além (e q nem sei o q é)enquanto dizemos p nós mesmo q já temos o suficiente. Sei lá, a paz e o equilíbrio tbm fogem de mim, de mãos dadas c toda a minha energia... Incrível como seu texto fez sentido p mim.
[Comentário mto grande né? Mas é p compensar todos aqueles q eu n fiz,rs]

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